09/08/11

Sentença

Decepção atrás de decepção, ele foi dormir. Antes de deitar, fechou as cortinas que costumavam ficar abertas, dia e noite.

Sua próxima lembrança é de balançar muito como se estivesse em uma embarcação. Tentava levantar, mas era em vão.

A luz forte o forçou a abrir os olhos, pensou ser o sol, porém eram pessoas estranhas, fortes e sem nenhuma educação. Puxavam-no com afinco, destilando raiva e mágoa e o levaram a outras pessoas; assim lhe disseram: "Sua fuga é sua maldição. Triunfo de uns, desgraça de alguns, mistério a você. Está sentenciado a viver nessa terra - espelho sincero - por 50 mil décadas. A luz do seu dia durará 10.000 dias e suas noites durarão mais que a sua angústia. De hoje em diante, seus amigos velam apenas os seus erros, lhe negam o pão, lhe negam abrigo, lhe negam apreço... Mas serão esses rostos que verás por esse tempo. A partir de agora, está sozinho. Vague, aja a revelia, pois assim o farão com você."

Em tempo de absoluto medo, a tristeza apegou-se a ele de tal maneira, que sua visão turvou-se e o confundia com a luz de um sol sem brilho, que lhe parecia uma luz qualquer no breu. Eram lágrimas; Que lavavam, mas não caiam. Era o soluço, que lhe doía a garganta, os ombros e entre os olhos. Era o fardo, de algum desejo indevido que era impossível lembrar, com tão pouco tempo livre por sobreviver.

Num próximo suspiro, tudo era escuro, mas uma luz apareceu. Eram suas cortinas, era o seu quarto, era a sua cama. Levantou-se, abriu as cortinas e deixou incomodar-se pela luz do sol. As lágrimas finalmente caíram. Desceu, abraçou seus irmãos como se fossem deuses e, ao ser convidado a alimentar-se, comeu comportando-se como um animal em jejum de dias.

Mas era perdoável, sobretudo a si mesmo. Mártir? Não. Entendeu que era apenas um ser humano frágil, que teve uma noite péssima e estava assustado.

0 comentário(s):